As Mulheres nos Comerciais de Cerveja – Uma Violência Simbólica

Tempo de leitura: 4 min

Escrito por Jamile Dumont

Já parou para pensar em como somos representadas nas propagandas de TV? Qual o papel das mulheres nos comerciais de cerveja? Veja mais sobre o tema.

mulher
Imagem de Igor Link por Pixabay

Imagine há quanto tempo os comerciais relacionados à cervejaria são vinculados na TV! Comerciais feitos por homens e para homens… O que será que a presença feminina significa nesse momento?

O universo machista sempre determinou o “lugar da mulher”, o que elas significam e como devem ser representadas.

Nada mais natural do que sermos representadas de forma “objetificada” em um ambiente machista como é o da cervejaria a final de contas, não somos o público alvo.

A Relação da Mulher com o Álcool – Visão da Sociedade

Em uma sociedade onde somos consideradas incapazes de tomar decisões sobre qualquer coisa, também não é vista com bons olhos essa relação mulher e álcool.

Mulheres que bebem não são decentes e não servem para casar. Porque será então que sempre existiram mulheres nos comerciais de cerveja?

Já que não somos consideradas consumidoras, não haveria a necessidade de ter representatividade nesse meio.

A resposta para essa questão além de óbvia é ultrajante, levando em consideração que as mulheres nos comerciais de cerveja sempre foram meros objetos. Objetos do desejo masculino.

Assim como os homens são apaixonados por cerveja são apaixonados por mulher. Ambas no mesmo nível, você entende?

As duas sendo exibidas como coisas que existem especificamente com o objetivo de servir aos homens.

A cervejinha para estar no padrão deve ser geladinha e gostosa e a mulher para estar de acordo com os padrões machistas, deve ser quente e também gostosa.

A comparação fica evidente em todos os comerciais, mas vamos ver um exemplo mais recente. O comercial da Antarctica, a boa com a atriz Juliana Paes.

No comercial, o joguete de palavras muitas vezes não nos deixa saber de quem ou do que estão falando. Adjetivos como boa e gostosa servem para os dois objetos.

“Este é o bar da boa. Pra você ter uma ideia, esta é a dona boa, toda boa!”

Essa é a frase inicial da propaganda em questão. O narrador fala enquanto a Juliana Paes anda por um bar, e abre uma cerveja.

Sempre muito sensual e com a câmera focando bem suas pernas, o decote etc.

Estereótipo de gênero sempre esteve presente de maneira muito evidente no meio televisivo e por muito tempo ninguém falou sobre isso, não havia questionamento.

Vejamos o Antes e Depois das Propagandas Cervejeiras

cerveja
Imagem de Jay Lamping por Pixabay

Nos últimos anos, o movimento feminista, além de se atentar quanto a isso resolveu fazer questionamentos e conseguiu chamar a sociedade para a discussão.

Ao perceberem o abuso e a violência que essas marcas de bebidas imprimiam às mulheres, as cobranças naturalmente começaram a ser feitas.

O resultado disso tem sido surpreendentemente bom. Houve uma repercussão extremamente negativa em relação às campanhas e as marcas foram obrigadas a rever seus conceitos.

Obrigadas sim, pois sabemos que as mudanças forram ocorrendo porque elas tiveram medo de um grande prejuízo financeiro.

Por bem ou por mal, as transformações já estão ocorrendo e podemos notar a diferença do papel das mulheres nos comerciais de cerveja, agora vistas também como consumidoras e sem seu corpo objetificado.

Skol

No carnaval do ano de 2015 a empresa foi infeliz em sua campanha onde espalhou cartazes com frases pelas cidades.

“Tô na sua, mesmo sem saber qual a sua”;

“Topo antes de saber a pergunta”;

“Esqueci o não em casa”;

Essa última frase em especial causou muito desconforto no público feminino que nesse tipo de festa tem suas vontades e opiniões desrespeitadas e sofrem todo tipo de abuso.

A Skol sofreu várias acusações de apologia ao estupro, o que fez com que a mesma trocasse todos os cartazes por outros com a frase: “Neste carnaval, respeite”.

A partir de então a Skol passou a patrocinar eventos referentes a várias causas de minorias como a Parada do Orgulho LGBT, e parece que deseja mudar a posição das mulheres nos comerciais de cerveja.

Sua última campanha, “Redondo é sair do seu quadrado” demonstra essas mudanças, e recentemente também lançou uma ação para substituir cartazes machistas de bares. Confira no link.

Itaipava

Também no ano de 2015, a Conar suspendeu uma campanha da Itaipava onde os seios de Aline Riscado era comparado ao tamanho da latinha e da garrafa da cerva.

Depois do ocorrido a marca retratou-se e entendeu que precisa se adequar aos novos tempos onde as mulheres não podem nem devem ser “coisificadas”.

Negou que a mudança de comportamento tenha sido em consequência dos movimentos feministas, segundo a empresa, trata-se de uma “evolução natural”.

O porquê das mudanças é importante, mas mais importante ainda é que o papel das mulheres nos comerciais de cerveja mude e é isso que vem acontecendo.

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