As vertentes do feminismo

O movimento feminista ganhou força no Brasil nos anos 60, pois foi nessa época que as mulheres iam para as ruas pedir direito ao voto. A maioria delas eram de classe média alta, que tiveram contato com o feminismo através de viagens para fora do país.

As pautas reivindicadas pelas feministas eram diferentes, enquanto as mulheres brancas almejavam direitos iguais, as mulheres negras estavam atrás de direitos básicos, como o de serem consideradas gente.

A partir daí, surgiram então as vertentes do feminismo, como sendo uma forma de tratar as particularidades de cada mulher, uma vez que uma mulher lésbica não possui as mesmas necessidades de uma mulher hetero, por exemplo.

Dessa forma, o feminismo deixou de abranger somente as mulheres que lutavam por direitos civis e começou a levantar a bandeira da luta de mulheres que são mães, mulheres jovens, mulheres trans, mulheres negras, mulheres periféricas, etc. Entretanto, existem pautas comuns entre todas as vertentes feministas, como a luta contra a violência de gênero.

Atualmente as vertentes do feminismo está dividida em feminismo liberal, feminismo interseccional, feminismo radical, feminismo negro, feminismo marxista e feminismo trans.

Feminismo Liberal

“LibFem”, como é conhecido o feminismo liberal, vem se tornando conhecido através da cultura pop, pois artistas como Emma Watson são dessa vertente, sendo o LibFem geralmente o primeiro contato das mulheres com o feminismo.

As feministas liberais acreditam que a igualdade entre homens e mulheres será alcançada através de reformas políticas e também por meio de conquistas politicas femininas, ocupando assim espaços representativos.

Como o próprio nome já diz, essa é a vertente feminista mais liberal, onde os homens também são incorporados à luta das mulheres, por acreditar que eles também são prejudicados com o machismo.

Outra pauta que o feminismo liberal levanta é o direito da mulher se prostituir, por acreditar que essa é uma escolha dela, que deve ser respeitada e garantida por lei.w

Feminismo Negro

feminismo negro
Imagem de Pexels por Pixabay

O feminismo negro surge nos anos 80 junto com o movimento negro no Brasil. Ele pauta que a mulher negra não é representada pelos outros feminismos, pois ela sofre uma opressão dupla, de gênero e de raça.

As pautas levantadas pelas feministas negras são a intolerância religiosa, principalmente contra as religiões africanas e o extermínio da juventude negra, que tem impacto direto na vida de mulheres negras. Pautas essas que não são prioridades de outras vertentes feministas.

Todas as vertentes feministas defendem a legalização do aborto, mas as feministas negras pautam mais ainda essa necessidade, pois são as mulheres negras as que mais morrem em clínicas clandestinas e que mais sofrem com violência no parto.

Feminismo Interseccional

O feminismo interseccional surgiu na década de 80, com Kimberly Cranshaw, ele procura juntar as pautas de gêneros com as de outras minorias, fazendo então recorte de raça, sexualidade, classe e etc.

Esse feminismo leva em conta necessidades particularidades de cada mulher, por isso dentro dessa vertente é possível achar o transfeminismo, feminismo lésbico, etc.

Para as feministas intersec, por exemplo, a opressão contra a mulher branca não é comparada com a opressão que sofre a mulher preta, pois essa última, além de sofrer por ser do sexo feminino, sofre também com o racismo.

Nessa vertente os homens também são bem vindos, mas ao contrário das LibFem, asIntersec reconhecem o homem com opressor, sendo então somente alinhado na luta, mas nunca protagonista ou porta voz.

As feministas intersec também defendem a prostituição, por acreditar que a mulher faz o que quiser com o seu corpo, ideia também defendida pelas feministas liberais.

Feminismo Radical

Essa vertente nasceu na década de 60 e 70, através das obras de Judith Brown e Shulamith Firestone e as feministas radicais são conhecidas como RadFem.

O feminismo radical acredita que a raiz de todas as opressões é o patriarcado. As RadFem não acreditam em reforma, mas sim em abolição, pois para elas, a libertação feminina só irá acontecer quando algumas coisas deixaram de existir, como os papéis de gênero.

Os papéis de gêneros estão ligados a mulher ser associada sempre a dominação e submissão, enquanto o homem está ligado ao poder e a opressão. Outro exemplo de papel de gênero é o “rosa” ser coisa de mulher e o “azul”, coisa de menino.

Então, para que exista a igualdade de gênero, para as feministas radicais, é preciso que esses conceitos sejam aniquilados.

O feminismo radical, ao contrário do intersec e do liberal, não defende que a mulher se prostitua, por acreditar que lutar pela prostituição feminina é o mesmo que lutar pelo direito de um homem explorá-la, pois elas acreditam que consentimento não é comprado e que ceder não e consentir.

Feminismo Marxista

O feminismo marxista acredita que a raiz de todas as opressões é o capitalismo, pois é por causa dele que existe a desigualdade e padrões. Então, elas defendem que a igualdade de gênero só acontecerá com o comunismo.

Feminismo Trans

LGBT
Imagem de Gerd Altmann por Pixabay

Assim como o feminismo negro, o feminismo trans surge para levantar pautas das mulheres trans – pessoa que se identifica como mulher, embora tenha nascido com um sexo biológico diferente do feminino.

Esse movimento nasceu por causa da falta de visibilidade dessas mulheres, pois o Brasil é o país que mais mata mulheres trans e travestis. Assim, elas se organizaram e fizeram uma estrutura própria que atendam às suas demandas.

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