O Racismo, Machismo e a Solidão da Mulher Negra

Vamos falar sobre o feminismo negro? Ou você não sabe que a solidão da mulher negra existe, é cruel e tem sua origem da junção do machismo com o racismo?

Feminismo Negro | Mulher triste chorando
Imagem por: Rawpixel.com

Se você é uma mulher preta, de certo, já se identificou com o título deste post, pois só quem sofre a solidão que o machismo associado ao racismo produz, sabe o quanto é cruel.

O feminismo hoje encontra-se em evidência no mundo inteiro, inclusive em países extremamente conservadores.

No entanto, o mesmo é, na maioria das vezes, discutido de forma ampla e sem levar em consideração que as mulheres negras têm u agravante que é o racismo.

Portanto, se uma mulher branca sofre com o machismo e a falta de direito, isso é bem pior em relação às negras.

Afinal, uma mulher branca hoje perde vaga e ganha um salário menor por ser mulher, contudo, a mulher preta sofre com tudo isso e ainda perde sua vaga de emprego para a mulher branca.

Ainda contamos com a solidão da mulher negra, mas não somente no âmbito social e no mercado de trabalho.

A solidão da mulher negra é também na vida amorosa e isso contribui para que a mesma sofra com problemas emocionais, inclusive a depressão.

Por isso é necessário falar sobre o feminismo nego de forma específica e separada.

Conheça o Início do Feminismo Negro

Feminismo Negro | Retrato, de, mulher preta, isolado
Imagem por: Rawpixel.com

A priori, entenda que o feminismo negro é um movimento social como o feminismo com a diferença de ser protagonizado por mulheres pretas.

O objetivo é reivindicar seus direitos e promover maior visibilidade às suas pautas.

O feminismo negro já é um fenômeno mundial e aqui no Brasil surgiu na década de 70, por conta da grande necessidade das feministas pretas.

Já na época o movimento negro trazia uma essência sexista e as manas eram frequentemente reprimidas e oprimidas dentro do mesmo.

Ou seja, o movimento defendia os negros e em contra partida oprimia as negras.

Dentro do mesmo dificilmente as manas conseguiam ocupar determinadas posições de igualda como os homens negros.

De outro ponto de vista, o movimento feminista apresentava sua face duramente racista que não consideravam as pautas com recorte racial e, portanto, privilegiando a mulher branca.

Sendo assim, a mulher preta não encontrava representatividade em nenhum dos movimentos sociais.

Infelizmente foi assim por muito tempo e mesmo nos dias atuais as pretas encontram dificuldades em ser ouvidas.

Pense bem, o feminismo só conseguia atuar buscando equiparara os direitos das manas brancas com os homens brancos.

Enquanto isso, a negra continuava em posição subordinada e carregando o peso enorme da escravatura.

Aquele peso que afirma que a preta deve ocupar trabalhos pesados e com baixa remuneração.

No entanto, a subordinação não se limitava apenas ao homem. As pretas ainda eram subordinas ás mulheres brancas.

Foi justamente a partir dessa percepção que surgiu a necessidade de se criar o feminismo negro.

Rapidamente as líderes pretas feministas foram aparecendo e dando maior consistência ao novo conceito de feminismo, por exemplo, a Sueli Carneiro e a Lélia Gonzalez.

O Feminismo Negro e Suas Questões

Feminismo Negro | Linda mulher negra relaxando em parede de madeira
Imagem por: Katemangostar

1. Violência Sexual e Doméstica

Quando analisamos os casos de feminicídios no Brasil, inquestionavelmente, a cor da pele é fator relevante.

Dentre os inúmeros casos de assassinatos por parte de ex- companheiros e companheiros 60% ocorrem com mulheres negras.

O motivo é que elas não recebem assistência adequada e, por isso, vivem mais vulneráveis.

Vulneráveis, diga-se de passagem, pelos parceiros e ex-parceiros e também pelas autoridades.

O problema da mulher branca no aspecto da sexualidade é apenas a exigência de atitudes mais moderadas e maior liberdade feminina.

Porém, em relação às pretas a situação traz outras premissas. Nesse caso elas sofrem com o estigma quem vem do Brasil colônia, o antigo.

A mulher negra é constantemente objetificada no imaginário social que a considera sempre disponível para a exploração.

Isso no caso das mais claras, denominadas maldosamente como “mulatas” fazendo referência às mulas.

Por outro lado, as negras retintas (com tonalidade de pele mais escura), sofrem ainda mais, pois são tidas apenas como trabalhadoras braçais.

Uma mulher preta no Brasil sequer possui o direito de denunciar uma violência sexual, pois a sociedade a legitima.

A cultura do estupro que tanto ganha notoriedade hoje com o feminismo branco, vem do Brasil colônia e começou com as pretas sendo violentadas pelos senhores brancos.

Mesmo com esse apelo, o feminismo não consegue fazer esta discussão, então o feminismo negro é necessário e urgente.

2. O Padrão de Beleza Imposto Pela Mídia

Não há mais como tentar negar. A mídia nos impõe um padrão de beleza que é branco, loiro e com olhos claros.

Padrão este que, inquestionavelmente, exclui e discrimina a mulher escura, de cabelos crespos e olhos negros.

Entre atrizes, cantoras, modelos etc. as brancas são hegemonia e ditam beleza e comportamento ao restante da sociedade.

Por esse motivo, nos deparamos com tantas negras com cabelos alisados e usando lentes de contato verdes e azuis.

O feminismo negro ainda discute o fato de a mídia também colocar a mulher preta no papel de musa, mas para atender a um público machista que visa proteger a mulher branca.

Mesmo quando dizem dar espaço a elas, estão a verdade contribuindo e reforçando o racismo, o machismo e a objetificação.

Desse modo, o feminismo comete outro erro ao não discutir o papel da preta na grande mídia.

3. A Solidão da Mulher Preta

Mais uma discussão pertinente no seio do feminismo negro é a solidão destas mulheres.

Após a abolição da escravatura instaurou-se no país um movimento de branqueamento da nação, ou seja, culpavam os negros e índios pela desgraça do Brasil e afirmavam que deveríamos fazer uma limpeza étnica.

Isto posto, termos como “a barriga limpa” são ecoados até hoje fazendo referência aos filhos que nascem de relações “interétnicas”.

Um bom exemplo é o vice-candidato à presidência, o Hamilton Mourão que deu uma declaração racista a pouco tempo.

“Gente, deixa eu ir lá que meus filhos estão me esperando. Meu neto é um cara bonito, viu ali. Branqueamento da raça”…

Sendo assim, a negra é vista como objeto sexual dos brancos e também dos negros que, na maioria das vezes, mantém relacionamentos com brancas a fim de ter filhos claros e ser bem aceito na sociedade.

Com isso, as pretas experimentam, além de todo o racismo e objetificação, o abandono pelo homem preto.

Estas são apenas algumas questões que legitimam o feminismo negro, mas a discussão é bem mais complexa.

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